Abate de Árvores por Causa de Alergia

Alergia Sazonal 660 x 440

Em junho de todo ano inicia um evento interessante aqui no Sul do país; falo especificamente do Rio Grande do Sul. Pelo menos por aqui, em analogia às migrações sazonais de animais selvagens, levas de pessoas se dirigem às secretarias de meio ambiente de seus municípios, com o intuito de solicitar licenças para corte ou poda de árvores.

Essa “migração” aos órgãos ambientais no inverno possui um único objetivo: trucidar as pobres árvores que supostamente estão causando alergia nas pessoas, ou seja: que estão “prejudicando as pessoas”.

O argumento dos cidadãos é sempre o mesmo: as árvores são causadoras de alergia. Aqui no município de Marau os ligustros são as principais vítimas, pois há muitos nas vias públicas e são famosos por serem potenciais agentes alergênicos. Mas não são as únicas vítimas, nesta época do ano todas as árvores se tornam alvos em potencial.

Os “migrantes” se dividem em dois grupos. De um lado as pessoas que associam honestamente a floração de uma árvore qualquer com o período de alergia sazonal, e de outro lado as pessoas que utilizam a alergia como desculpa para tentar abater árvores que lhe são indesejadas

O primeiro grupo, das pessoas honestas, associam a floração de uma árvore específica, normalmente a mais próxima, com o período de alergias. Elas não sabem ou não compreendem que 90% da alergia sazonal é causada por gramíneas, especialmente pelo azevém (Lolium sp.) que é largamente plantado, e floresce, no inverno. Mesmo que alguma espécie arbórea cause alergia em algum cidadão, apenas 10% das solicitações de abate possuem probabilidade de estarem corretas, o que eu duvido, pois em uma cidade rodeada de azevém, com o ar saturado de pólem dessa gramínea, dificilmente uma árvore específica será a causadora da alergia de alguém.

Essa falácia, da “causa e efeito”, é muito conhecida. As pessoas possuem tendência para associarem algum acontecimento à um evento que ocorreu no mesmo período ou de forma simultânea. Mas um simples raciocínio lógico pode refutar essa associação.

O segundo grupo, o das pessoas desonestas, é que me causa mais irritação.

O fato é que o inverno aqui é muito úmido. Independente da localização de qualquer imóvel, no inverno escorre água pelas paredes e os fungos se proliferam. Outra vez as árvores levam a culpa. Na busca por claridade, toda e qualquer árvore que tape um pouco o sol será podada de forma drástica ou abatida.

É nessa época de umidade que os desonestos procuram o Departamento de Meio Ambiente para abater as árvores que estão “causando alergia”. O interessante é que em muitos casos as árvores não estão sequer floridas! Outro fato interessante é que o apartamento onde resido, no 4º andar, longe de qualquer árvore ou outros edifícios, neste exato momento possui as paredes fungadas escorrendo água… O clima é úmido, as árvores não têm culpa!

É incrível os argumentos que algumas pessoas usam para abater uma árvore. Hoje mesmo uma senhora foi até o Dep. de Meio Ambiente me xingar porque indeferi uma solicitação de abate. Primeiro ela disse que o ligustro da frente de sua casa causa alergia. Depois de eu explicar que o mesmo não estava nem florido, ela argumentou que a pobre árvore estava apodrecendo a aba de sua casa. Depois de eu lhe dizer que eu fui ver a árvore e que a mesma não estava encostando na aba da casa, estava longe, ela disse que queria cortar a árvore porque os cachorros de rua defecam nela e fica cheiro ruim…

Eu digo e repito, a imbecilidade humana é tamanha que não me assustaria se trocassem árvores de verdade por árvores de plástico, que não dão alergia, não apodrecem a aba da casa de ninguém e não possuem folhas que possam cair eventualmente. Há, estava esquecendo, os cães continuariam a defecar em seus troncos, melhor não ter árvore nenhuma!

3 thoughts on “Abate de Árvores por Causa de Alergia

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *