Fenômeno Estranho Que Precisa Ser Estudado!

Eu gostaria de chamar a atenção para um fenômeno estranho que ocorre no setor público de todo o país.

Quase todas as vezes que um servidor de carreira se torna chefe adquire uma grave amnésia em relação à legislação e normas técnicas utilizadas anteriormente à nomeação.

Esse fenômeno atinge todas as áreas, inclusive a ambiental. É só observar: antes da nomeação o servidor possui uma vida profissional relativamente normal, observa a legislação… bom, pelo menos o mínimo, segue também minimamente as normas técnicas e vai levando a vida.

Após entrar para a política, puxar o saco de políticos, prometer favores aos “grandões” do ramo, e ser nomeado chefe, o comportamento do servidor muda drasticamente.

Neste instante é que as coisas começam a ficar interessantes.

Como que se passasse um vento e levasse embora a fumaça em formato de neurônios do servidor, a memória adquirida em anos de trabalho parece sumir!

E não é qualquer memória, o esquecimento é bem seletivo e pontual. É como se ocorresse uma pane na parte do cérebro que armazena a legislação e as normas técnicas. A partir deste momento tudo é possível: emissão de licenças para desmatamento, construção de indústrias em Áreas de Preservação Permanente, derrubada de espécies em risco de extinção, entre outras anomalias do tipo.

A pessoa perde também a vergonha na cara, os escrúpulos e a ética profissional, caso às tivesse.

Como disse Shakespeare:

Alguns dizem se tratar de um fenômeno social, outros uma patologia médica.

Seja como for, não parece ser o caso apenas de uma endemia, alguma coisa local ou pontual, mas sim de uma epidemia, quase uma histeria coletiva silenciosa.

O mais intrigante ainda é que a gravidade dessa moléstia (ou fenômeno?) é diretamente proporcional ao salário percebido pelo servidor. Ou seja, quanto mais alto o salário pior o quadro de amnésia.

Esse fenômeno já é bem conhecido entre os CCs, o famoso Cargo Comissionado ou Cargo de Confiança; porém, no caso deles, a alegação é que a culpa não é da amnésia, mas sim da falta de qualquer tipo de conhecimento, ou noção, anterior à ocupação do cargo.

Não é por menos, pois não passam por qualquer tipo de prova para testar se possuem conhecimentos mínimos na área que irão atuar. Desta forma fica difícil saber se ocorre a mesma amnésia dos FGs ou se não sabem nada mesmo.

Mas existe uma luz no fim do túnel! Agentes da Polícia Federal e do Ministério Público Federal estão ajudando na procura de soluções.

Recentemente conseguiram praticamente um milagre. Com árduas investigações, inclusive com a utilização de diversas técnicas inovadoras como as delações, foi possível fazer muitos servidores recobrarem a memória; e o mais impressionante, em instantes! Acontece assim: num momento não lembram de nada, no momento seguinte à assinatura da delação premiada a memória volta com vigor, tipo memória fotográfica.

No Rio Grande do Sul, por exemplo, em 2013, a PF deflagrou a Operação Concutare, que remediou muita amnésia de servidores públicos da área ambiental.

Esses remédios inovadores trazem esperança para milhares de brasileiros que são prejudicados por este estranho fenômeno que acomete nosso tão surrupiado Brasil.

Mas o mistério continua. A amnésia relacionada com dinheiro e poder é muito forte no setor público. É um fenômeno ou uma patologia que precisa ser melhor estudada para ser combatida.

Sigamos a luz no fim do túnel!

Aviso: texto altamente sarcástico.

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